sábado, 25 de agosto de 2018

Franquias - Gastos, Consumos, Tributos e Lucratividade

Ponto Comercial
Os gastos com instalações são calculados por metro quadrado e variam de acordo com as características do ponto e a adaptação do imóvel ao padrão da franquia. Na fase de obras, é bom negociar valores e alinhar bem o trabalho com cada fornecedor. O objetivo não é só economizar, mas evitar retrabalho e gastos dobrados. Também vale computar o valor da luva ou CDU (Cessão de Direito de Uso) para uso do ponto.
A escolha do ponto comercial pode significar o sucesso ou o insucesso de um negócio e para avaliar corretamente o empreendedor precisa se cercar de alguns cuidados que envolvem questões legais, financeiras e estratégicas.
Antes de definir o local do estabelecimento é preciso checar:
- Se os clientes têm fácil acesso à loja;
- Se existe a venda por impulso, ou seja, a que o cliente compra ao visualizar o produto, mesmo que não esteja propenso a comprá-lo;
- Qual é o tráfego de pedestres no local da loja;
- Se há concentração de comércio e o número de concorrentes;
- Se existe a necessidade de estacionamento;
- Se o cliente alvo tem acesso adequado à loja.
Gastos com padrão visual
Parte do poder da marca está no padrão de comunicação visual. Para que o consumidor se identifique com ela e a reconheça em qualquer lugar, é necessário que todas as unidades sigam um modelo, que dita desde a arquitetura do estabelecimento até materiais impressos, como folhetos e propagandas. Para isso, cada franquia possui seu manual de identidade visual, que determina todas as regras para usos da logomarca, cores, tipos de letras, estilo arquitetônico, mobiliário etc.
Cada franqueadora tem a própria estimativa de investimentos nessa área, da aplicação do logotipo na fachada à pintura da loja e disposição de espaços e mobiliário. A recomendação é gastar com o que é estritamente necessário.

Capital de Giro
Normalmente o franqueador estima por quantos meses a nova unidade terá resultados negativos, bem como o valor que será necessário para arcar com os gastos da operação no período. O montante deve ser suficiente para cobrir o caixa durante os três primeiros meses, podendo chegar a seis, sem depender de vendas. A conta deve se basear na projeção do fluxo de caixa. Não adianta mirar no ponto de equilíbrio se as vendas forem parceladas e o dinheiro estiver nos recebíveis.
O cuidado com o capital de giro deve ser uma constante, pois mesmo com vendas crescentes e boas margens de lucro, serão necessários mais investimentos, já que aumentar vendas significa também crescer os custos e despesas operacionais. No período de queda nas vendas, é preciso lidar com equilíbrio a baixa no faturamento e um alto volume de estoque parado.

Tributos
O controle sobre o planejamento tributário é um dos índices que interferem na produtividade e lucratividade da empresa, já que se trata de uma área que, além de dificultar a vida do empresário, pode, em determinadas situações, inviabilizar o prosseguimento da empresa. É necessário profissionais capacitados para entender a forma adequada de como se deve recolher os impostos, melhor regime tributário, análise de créditos etc.

Ocupação
Os gastos com ocupação independem das vendas e não devem passar de 8% do faturamento para franquias de rua e de 15% para unidades de shoppings. Os valores contemplam contas de consumo, aluguel, IPTU, condomínio, seguro, taxas e regularização e, se a unidade estiver em um shopping, o fundo de promoção e 13º aluguel.

Pessoal
O gasto com a folha administrativa não deve ultrapassar 10% do faturamento para franquias de rua e 14% para unidades localizadas em shoppings. Convém incluir também as despesas com contador e advogado.

Compras
Muitas franqueadoras contam com fornecedores homologados de matéria-prima, produtos e embalagens. Outras, porém, vendem estoque direto para a loja, já com as orientações de quais produtos devem compor o portfólio. Cuidado com a quantidade de compras impostas pela franqueadora. Os produtos perdem a validade e implicam custos de estocagem.
O volume de estoque está relacionado ao tamanho da unidade e à projeção de vendas. Grande parte das franquias de varejo e de alimentação exige que os insumos estejam totalmente pagos na inauguração. Se a franqueadora admite parcelamento, a necessidade de capital de giro aumenta, porque os recursos ficam comprometidos com as prestações.

Quanto vou vender
Para projetar as vendas, o futuro franqueado deve analisar o crescimento do setor, a concorrência, a demanda, a aceitação do produto, o potencial aquisitivo dos consumidores e a sazonalidade. Conhecendo o potencial de geração de receita, é possível também analisar se o investimento será rentável. Ainda que os números se mostrem favoráveis, vale controlar o otimismo. A menos que a loja bombe na inauguração, as vendas obedecem a uma curva de amadurecimento até que a franquia se torne lucrativa.

Valor bruto das vendas
É comum o franqueador fornecer uma estimativa de vendas com base no faturamento de outras unidades de porte semelhante na rede. O dado leva em conta indicadores comerciais de fluxo (quantos em entram na loja), conversão (quantos efetivamente compram) e tíquete médio (quanto gastam em cada compra).

Pesquisas de consumo
O resultado da projeção de vendas deve ser tomado apenas como um referencial. Cabe ao franqueado buscar fontes alternativas de informação, como pesquisas de consumo feitas pelo shopping, consultas ao mercado local, conversas com outros franqueados e comparativos com a concorrência.

Fatores externos
Entre os fatores que podem impactar as vendas, o ponto comercial se destaca. Um shopping com alta taxa de vacância pode ter aluguéis menores, mas baixo fluxo de pessoas. É preciso entender se o empreendimento está em declínio ou em consolidação. Outro fator determinante são as condições da macroeconomia, que tem impacto direto sobre o bolso do consumidor.

Quanto vou ganhar
Ao calcular o volume de vendas necessário para cobrir todos os gastos da operação, o franqueado define o ponto de equilíbrio do negócio. É só a partir daí que a unidade começa a dar resultados. Isso não significa, porém, que chegou a hora de recolher os lucros. Antes, é preciso ter dinheiro em caixa, o que depende do fluxo de recebíveis. Já o valor que vai para o bolso do franqueado varia em função do investimento e da lucratividade do negócio.

Dinheiro em caixa e no bolso
Para estimar o momento em que as receitas superarão os gastos, quando haverá a disponibilidade de caixa, é fundamental projetar os prazos de recebimento e pagamento. Mesmo depois do ponto de equilíbrio, ainda pode levar uns meses para o empreendedor ver essa sobra de dinheiro. Tudo depende dos recebíveis. Com esses valores em caixa, é possível recolher o lucro. É recomendável que parte do valor permaneça no negócio e forme um fundo de reserva para reforma, renovação da taxa de franquia e expansão.

Pró-labore
O franqueado precisa se certificar de que tem condições financeiras para se manter enquanto a franquia não atinge o ponto de equilíbrio. Há franqueadoras que admitem o pagamento de pró-labore para o sócio que atua na operação.

Lucratividade
No varejo de produtos, a lucratividade (quando o negócio efetivamente ganha em relação a tudo o que recebe) varia de 8% a 15%. Já em serviços, o percentual fica entre 12% a 20%. As diferenças dentro de cada segmento se explicam pela aceitação do público, ação da concorrência e estratégia da marca. Em um mercado competitivo, por exemplo, é possível trabalhar com margens baixas para ganhar volume de vendas. Já negócios inovadores ou com mercados pequenos tendem a adotar margens altas. Para ter um parâmetro, vale olhar para a média da rede. A expectativa é alcançar o indicador ideal no primeiro ano de vida do negócio, para que o investimento se pague e dê lucro até o fim do contrato de franquia (em geral, de cinco anos).

Rentabilidade
A partir desse indicador, que mede o retorno sobre o capital que os sócios pretendem investir na franquia, é possível avaliar o percentual mínimo de remuneração aceitável e compará-lo com as alternativas do mercado.
A avaliação também deve levar em conta o tempo de retorno do capital. Para avaliar se vale a pena investir no negócio, é preciso comparar com outras opções de investimento (LCI, LCA, Fundos de Investimentos, CDB, Tesouro Direto etc).
Tempo de Retorno do Capital = Investimento dividido pelo Lucro Mensal
% Rentabilidade = Lucro Mensal dividido pelo tempo vezes 100.

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